Títulos verdes no Brasil: entenda o mercado na cadeia de grãos

Títulos verdes no Brasil: entenda o mercado na cadeia de grãos

Falamos recentemente aqui no blog sobre títulos verdes e os benefícios que eles podem gerar para o meio ambiente, ao emissor e ao investidor. No artigo de hoje, vamos falar um pouco mais sobre este cenário, especialmente sobre o mercado de títulos verdes no Brasil e na cadeia de grãos.

Primeiro título verde no Brasil foi emitido em 2015

Nos últimos 8 anos, diversas medidas contribuíram para o crescimento do mercado de títulos verdes e foi uma empresa do agronegócio a primeira emissora nacional.

Confira a seguir uma linha do tempo de 2012 a 2020 sobre o início efetivo dos títulos verdes no Brasil e alguns decretos que impactam diretamente neste cenário.

  • 2012 – A B3 recomenda que as empresas listadas na bolsa forneçam relatórios ESG ou se justifiquem em caso contrário.
  • 2015 – Primeiro título do Brasil emitido pela BRF. Foi também o primeiro negócio de tamanho de referência na América Latina.
  • 2016 – Brasil publica Diretrizes de Títulos Verdes para apoiar potenciais emissores e o desenvolvimento do mercado de títulos verdes.
  • 2017 – Declaração de Títulos Verdes assinada por investidores que representam quase US$ 500 bilhões em ativos.
  • 2018 – AB3 oferece maior visibilidade para títulos verdes, permitindo que as empresas listadas identifiquem seus títulos como verdes.
  • 2019 – Novo recorde na emissão brasileira com 11 dos 30 títulos do país; 26% do volume total da América Latina naquele ano.
  • 2019 – A CBI e o MAPA assinam acordo para alavancar títulos verdes como uma fonte alternativa de financiamento no Brasil.
  • 2020 – A Lei 13.986 foi aprovada e deve facilitar o investimento nacional e internacional, incluindo financiamento verde.
  • 2020 – O Decreto 10.387 cria uma via rápida para debêntures de infraestrutura verde.

Brasil é responsável por 24,1% dos títulos verdes emitidos na América Latina

A América Latina já emitiu quase 50 bilhões de dólares em títulos verdes. O Chile é o principal emissor da região, com aproximadamente 17,8 bilhões em títulos, seguido de perto pelo Brasil, responsável por 11,70 bilhões de dólares emitidos. Completam a lista: México, Argentina, Colômbia, Peru, Guatemala, Bermudas e Equador.

Emissão de títulos verdes na América Latina

Títulos verdes da agricultura brasileira são voltados para sustentabilidade

No Brasil, aproximadamente 80% dos títulos emitidos são relacionados a atividades de uso da terra ou energia renovável, diretamente ligados ao agronegócio. Os títulos verdes já representam metade das transações do setor.

emissão de títulos verdes no Brasil

Desde 2020, quatro novos títulos chegaram ao mercado, totalizando 848 milhões de dólares. Através da emissão dos títulos verdes, foi possível o financiamento de diversos setores da agricultura, como:

  • Produção orgânica regenerativa; 
  • Silos para secagem e armazenagem de grãos; 
  • Produção de insumos biológicos; 
  • Equipamentos mais modernos e eficientes para práticas agrícolas digitais e de baixo carbono;
  • Sistema de plantio direto;
  • Integração Lavoura-Pecuária.

Impactos dos títulos verdes nas metas climáticas brasileiras

O Brasil precisará de mais de US$200 bilhões para atingir as metas climáticas e a emissão de títulos verdes do agronegócio deve ser responsável por 70% deste valor. De acordo com estimativas recentes do Climate Bons Initiative (CBI), o potencial de emissão de títulos verdes no agronegócio brasileiro pode chegar à US$ 163,3 bilhões de dólares até 2030; na moeda brasileira, estamos falando de quase R$ 900,0 bilhões (considerando o dólar em R$ 5,50).

Os títulos verdes podem ser extremamente benéficos para o nosso clima e ambiente, com destaque para:

  • Além de possuir o maior ativo agroambiental do mundo, o Brasil tem uma boa estrutura de políticas públicas para unir a conservação ambiental e a produção agrícola sustentável.
  • Padrões internacionais e programas de certificação foram adotados no setor agrícola brasileiro para promover a sustentabilidade, e podem ser usados para estimular as finanças verdes.
  • Para um projeto ou ativo ser rotulado como verde, ele deve seguir a legislação ambiental. Ao mesmo tempo, essas finanças verdes podem apoiar a implementação e aplicação do Código Florestal.
  • À medida que o financiamento público se torna menos disponível, o mercado de capitais surge como uma alternativa para impulsionar investimentos e dar escala à produção agrícola sustentável.

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Fonte

Markestrat com base em Climate Bonds Initiative e dados secundários. *Considera o valor do dólar em R$ 5,50.

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